Hoje falaremos um pouco sobre os aromas característicos do vinho tinto e como eles mudam de acordo com o tempo, temperatura e etapas da degustação.

Primeiramente é preciso entender que a transformação das uvas em álcool por meio da fermentação das leveduras proporciona aromas característicos. O enólogo e pesquisador da Embrapa, Celito Guerra, pesquisou essa processo durante anos e descobriu que os cheiros primários dos vinhos são provenientes de compostos químicos voláteis, como os carotenóides, terpenóis e pirazinas.

No momento de fazer a degustação, certifique-se de que o vinho está na temperatura adequada, pois quando a bebida está gelada dificulta que os aromas sejam liberados. Outro cuidado que se deve tomar é não preencher a taça até a borda, pois é necessário que exista espaço para o vinho passear pelo copo e liberar os aromas. Algumas uvas, como a Chardonnay, Riesling e Pinot Grigio são tidas como uvas não aromáticas, mas isso não quer dizer que não liberam os odores, mas sim que eles são mais sutis. Já a Moscato e Sauvignon Blanc são as aromáticas.

Não se esqueça de que o vinho é influenciado por pequenas alterações de temperatura, conservação e tempo, por isso alguns fatores como restos de detergente no copo e até mesmo bebidas consumidas antes, como o café, podem mudar a percepção real e alterar o aroma dos vinhos. Caso as taças estejam com cheiro de madeira, devido ao local onde estavam guardadas, limpe-as com um pano branco e um borrifador com medidas iguais de água e álcool.

aromas-do-vinho

A degustação pode ser dividida em identificação dos aromas:

Primários:
Florais: violeta, rosa, flores secas e peônia
Vegetais: pimentão verde, húmus.
Frutados: frutas vermelhas e negras (cerejas, amoras, morangos, ameixas, cassis, etc)
Especiarias: pimenta, tomilho, louro e cravo.

Secundários:
Levedura, miolo de pão, brioche, biscoito, leite, manteiga fresca, iogurte, banana, creme inglês, esmalte de unha.

Terciários:
Frutados: frutas vermelhas em compota, ameixas (fresca e seca), cereja negra
Empireumáticos: cacau, pão tostado, café, tabaco (fumo), caramelo
Balsâmicos: madeira tostada, cedro, eucalipto, carvalho, madeira nova
Especiarias: canela, baunilha, pimenta em grão, cravo, alcatrão, alcaçuz
Animais: caldo de carne, couro, carne de caça, pele de animal
Vegetais: cogumelo, trufa, mato
Químicos: solvente e verniz.

Além da qualidade e tipo de uva, os barris de carvalho são diferentes e podem trazer aromas diferentes ao vinho:

Tintos em carvalho francês coco, nozes, cravo, pimenta preta, canela, menta.
Tintos em carvalho americano: baunilha, noz-moscada, castanha, coco, especiarias (cominho, sálvia), frutas secas.
Tintos em barricas de tosta leve: casca de banana, mel, creme de cacau, chocolate branco, resina.
Tintos em barricas de tosta média: amêndoa tostada, caramelo, chocolate, tabaco, café.
Tintos em barricas de tosta forte:pão tostado, fumo, folhas secas, grafite, chocolate preto.