Na degustação do vinho temos uma série de elementos a serem considerados. No Guia do Vinho da Casa Lisboa saiba mais sobre falha e defeito.

Parece a mesma coisa, mas não é. Falha é considerado qualquer erro durante o processo de fabricação que pode alterar cor, odor ou paladar do vinho. Já o defeito são características que nem sempre agradam a todos degustadores, mas que muitas vezes fazem parte do bouquet, reunião de aromas complexos que definem o vinho.

Falha: O diacetil é um subproduto natural da fermentação malolática e tem cheiro e gosto de bala de caramelo ou pipoca queimada. Embora faça parte de um Chardonnay amanteigado, não pode estar presente nos vinhos tintos ou brancos. O composto químico 2, 4, 6-tricloranisol (TCA) é o principal vilão de vinhos ao atacar a rolha e deixa muitos com cheio de piscina mofada, papelão molhado ou porão embolorado. Cheiro de madeira ou vegetais cozidos significam que a garrafa cozinhou, ou seja, ficou excessivamente quente e estragou, além disso o fenômeno faz com que a rolha se afrouxe e o vinho ganhe uma coloração amarronzada suspeita.

Caso você abra a garrafa e sinta cheiro de borracha queimada, saiba que é uma reação adversa do dióxido de enxofre, usado para conservar o vinho. Neste caso, misture a bebida com uma colher de prata para que o aroma volte ao normal. Muitas vezes, o vinicultor utiliza o enxofre para melhorias próprias, mas se o excesso de exposição não aconteceu durante o engarrafamento, o vinho ganha aromas de gambá, ovo podre e repolho que nem a colher de prata conseguirá tirar. Cheiros de vinagre e removedor de esmalte de unha também são erros que ocorrem durante o armazenamento.

Defeito: Alguns entusiastas adoram alguns toques de mofo em vinhos rústicos e acreditam que a Brettanomyces, uma levedura que deixa as produções com cheiros como celeiro, esterco de vaca e queijo malcheiroso, só tem a acrescentar. Já outros acreditam que o cheiro estranho é causado por uma falta de higiene da vinícola e prefere manter esse tipo de vinho fora do cardápio. Caso o cheiro seja sutil, tudo bem, mas no caso de odores realmente fortes, é uma falha.

Você já abriu uma garrafa de vinho e notou pequenos cristais? Eles são formados por ácido tartático que cobre o interior dos barris de vinho e fica parecendo lascas de vidro. Para não precisarem lidar com esse problema, muitos produtores estabilizam a frio o seu vinho, mas não tem importância, pois eles são depósitos naturais e inofensivos.

Como vimos acima, as rolhas atacadas pelo TCA não são um bom sinal, mas o vinho pode estar bom sim, desde que a rolha podre continue mantendo um lacre intacto. No caso de encontrar rótulos comidos por traça ou até cheias de musgo, beba à vontade! O vinho é mantido em locais úmidos para que a rolha não seque e o ar não entre na garrafa. No caso de vinhos que sofreram oxidação, todo o cuidado é pouco: ele pode ter sido estragado com o tempo, mas também pode ser um Xerez, que tem essa característica proposital particular.